Figura, Fundo e Kung Fu/ Figure, Ground and Kung Fu

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Porque dentro do Kung Fu um soco pode significar tanta coisa? É o que tentarei explicar a seguir!

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Há algumas semanas, eu estava tomando café da manhã com Mestre Julio Camacho e outros praticantes de Kung Fu, quando surgiu o assunto de que havia muitas distorções acerca de termos de alguns termos de psicologia. Muitos não sabem, mas Mestre Julio, assim como eu, também é psicólogo. Ele falava ,em tom de brincadeira, de certo praticante que estava fazendo uma série de confusões acerca do conceito de figura e fundo. Fiquei pensando algum tempo em como explicar essa ideia que para mim é tão natural, para que  outros praticantes pudessem entender sem criar novos problemas para si.

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Tanto em situações cotidianas, como um café da manhã, quanto em situações de prática, Mestre Julio Camacho consegue mobilizar a enxergar outros paradigmas. O efeito que teve em mim foi: Como um praticante de Kung Fu/Psicólogo pode utilizar Kung Fu para falar de Psicologia? E Como utiliza psicologia para falar de Kung Fu?

Com esse pensamento em mente, recentemente eu acompanhei o processo de aprendizado de um rapaz que tinha acabado de se inscrever no Ving Tsun Experience, programa que funciona como porta de entrada para o Kung Fu.  Durante a sessão desse rapaz, que se chama Felipe, pudemos observar alguns aspectos importantes para o Kung Fu, mas gostaria de ressaltar o trabalho de soco. Depois de algumas tentativas, me inspirei em algo que o Mestre Thiago Pereira me disse e perguntei: “Para que serve esse soco que a gente tá trabalhando?!”. O rapaz disse que para ele, o soco servia tanto para agredir, quanto para medir distância. Concordei com ressalvas pois perguntei porque então não estávamos nos acertando e porque a distância entre nós não mudava. O rapaz, assim como eu fiz, outrora não soube o que responder. Apontei uma série de coisas que trabalhamos a partir da configuração do soco, como equilíbrio e geração de energia a partir de uma base estática.

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Muitas vezes no Kung Fu, um toque sutil pode gerar uma série de informações. Na imagem, uma prática de Ving Tsun Experience.

Ao resgatar esse tema que já nos é familiar, gostaria de trazer também um conceito da Psicologia da Gestalt, uma linha teórica bastante conhecida dentro da psicologia.

No início do século XX, na Alemanha, alguns psicólogos se debruçaram no estudo sobre a forma com que os seres humanos organizam suas percepções e sensações. A partir desses estímulos, estes estudiosos perceberam que as pessoas se organizam em Gestalten, termo em alemão cujo significado se aproxima de “forma” ou “totalidade”.

Através de muitos estudos e observações, grandes expoentes da Psicologia da Gestalt como Wertheimer, Koffka e Köhler começaram a perceber que a “totalidade é maior que a soma das partes. “

Mas o que isso quer dizer?

De forma resumida, quer dizer que um elemento isolado necessita de um contexto para que seja atribuído a ele um significado. Por exemplo, uma linha reta desenhada em um papel, isoladamente ela não significa muita coisa, mas dentro de uma composição com outras retas pode formar, por exemplo a representação da planta baixa de uma casa. Logo pode-se afirmar que as partes observadas separadamente não possuem as mesmas características de um todo, e portanto a totalidade é maior que a soma das partes.

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Por muitos anos, o vaso de Rubin foi utilizado para ilustrar o conceito de figura e fundo.

Este postulado se apoia no conceito de figura e fundo. Quando trazemos esse conceito para as relações humanas, pode-se afirmar que o fundo diz respeito ao organismos, ao meio ambiente e as experiências prévias de um indivíduo, enquanto a figura é a parte que se destaca neste fundo. Quando inserimos novos elementos em um fundo, a configuração e a percepção do todo mudam por completo, o que pode mudar a percepção total ou parcial de uma figura, pois sua emergência pode vir repleta de novos significados. Quando essa reconfiguração é consciente podemos chamá-la de insight, awareness, ou simplesmente de tomada de consciência.

Quando Felipe chegou para praticar naquele dia ele tinha uma concepção sobre o soco, que condizia com suas experiências prévias e que fazia parte do seu fundo psicológico. Para ele, o soco quando o soco emergia enquanto figura, era um elemento que servia tanto para externar agressividade quanto para medir distância, contudo durante a sessão foram aparecendo novos elementos que passaram a compor um novo fundo para Felipe. Em um momento eventual, quando houver a necessidade de Felipe utilizar o soco dentro de uma sessão de Ving Tsun Experience novamente, ele provavelmente terá um entendimento mais denso sobre esse elemento e certamente em outras oportunidades ele estará menos ávido para fechar um significado sobre o que está praticando e estará mais atento as possibilidades geradas pelo Kung Fu.

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Discípulo de Mestre Julio Camacho. Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

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ENGLISH VERSION

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Why does the Punch may have many meanings on Kung Fu? That’s what i’ll try to explain next!

A few weeks ago, I was having breakfast with Master Julio Camacho and other Kung Fu practitioners when a subject came to the table that there were many distortions about some terms of psychology. Many do not know, but Master Julio, is also a psychologist, just like me. He was talking  about of a certain practitioner who was making a series of confusions about the concept of figure and background. I started to think how to explain this idea which is so natural to me so that other practitioners could understand  it without creating new problems for themselves.

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Either in daily situations, such as breakfast, as in practices, Master Julio can mobilize people to see other paradigms. The effect on me was How can a Kung Fu Practitioner/Psychologist could use Kung Fu to talk about psychology? And how do a Psychologist could use pyschology to talk about Kung Fu?

With that thought in mind I started last week. I was helping through the learning process of a young man who had just signed up for the Ving Tsun Experience, a gateway program for Kung Fu. During the session of this lad, who is called Felipe, we could observe some important aspects for Kung Fu, but I would like to emphasize the punch. After a few attempts, I was inspired by something that Master Thiago Pereira told me and asked: “What is this punch? What are we working through it ?!”. Felipe said that the punch served both to attack and to measure distance. I agreed with reservations because I asked why we were not hitting each other and why the distance between us did not change. The boy, as I did in the past, did not know what to answer. I pointed out a number of things that we were working from the punch configuration, such as balance and power generation from a static basis.

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Many times on Kung Fu, the slightest touch might bring lots of information. On this pictute a Ving Tsun Experience Pratice.

Since I’m bringing this theme back, I would also like to bring a concept of Gestalt Psychology, a theoretical line well known within psychology.

In the early twentieth century, in Germany, some psychologists have studied the way humans organize their perceptions and sensations. From these stimuli, these scholars have realized that people are organized in Gestalten, a German term whose meaning approaches to “form” or “totality”.

Through many studies and observations, great exponents of Gestalt Psychology such as Wertheimer, Koffka, and Köhler have begun to realize that “totality is greater than the sum of the parts.”

But what does that mean?

Briefly, it means that an isolated element needs a context in order to be assigned a meaning. For example, a straight line drawn on a paper, alone it does not mean much, but within a composition with other straight lines can form, for example the representation of the floor plan of a house. It can thus be said that the parts observed separately do not have the same characteristics of the whole, and therefore the totality is greater than the sum of the parts.

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For many years, The Rubin Vase was used to illustrate the concept of figure and ground.

This postulate is based on the concept of figure and ground. When we bring this concept into human relations, it can be said that the ground concerns the organisms, the environment and the previous experiences of an individual, while the figure is the part that stands out in this ground. When we insert new elements into a ground, the configuration and perception of the whole changes completely, which can change the total or partial perception of a figure, because its emergence may come full of new meanings. When this reconfiguration is conscious we can call it insight, awareness, or simply awareness.

 When Felipe arrived to practice that day he had a conception of the punch, which was consistent with his previous experiences and which was part of his psychological background. For him, the punch when the punch emerged as a figure, was an element that served both to express aggression and to measure distance, yet during the session new elements appeared that formed a new fund for Felipe. At an eventual moment, when there is a need for Felipe to use the punch within a Ving Tsun Experience session again, he will probably have a more dense understanding about that element and certainly on other occasions he will be less eager to close a meaning about what Is practicing and will be more aware of the possibilities generated by Kung Fu.

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Disciple of Master Julio Camacho.   Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

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Kung Fu e Frustração / Kung Fu and Frustration

 

 

 

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Em algumas organizações de Artes Marciais, em especial no Kung Fu  é comum encontrarmos cerimônias que marquem a mudança de nível de um praticante. Neste tipo de cerimônia não é incomum ouvir algum praticante proferindo a palavra “Frustração”  ao falar sobre a sua experiência no nível anterior. Mas o que é frustração?

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Cerimônia de passagem de nível em que acessei o segundo nível do sistema tradicional de Ving Tsun.

 

A frustração pode ser entendida como uma tensão gerada pela não satisfação de necessidades ou desejos. Esse sentimento pode estar associado a uma fala muito pejorativa, no sentido que pessoas frustradas são mal realizadas e estão presas a situações do passado.
Certa vez, Mestre Julio Camacho estava falando sobre como o Kung Fu preparava as pessoas para situações de vida e disse algo parecido com o que transcreverei a seguir: “Muitas vezes as pessoas associam idade a sabedoria, mas isso não necessariamente se traduz em verdade. Não é incomum encontrar alguém idoso e abobalhado, ao mesmo tempo que não é impossível encontrar alguém jovem e com muitos recursos para resolver seus problemas.”

Você pode estar se perguntando… Mas o que tem isso a ver com Kung Fu?

Bem, dentro da dinâmica de vida kung fu, constantemente somos colocados em situações em que normalmente não vivenciaríamos, isso inclui mas não está restrita a prática Marcial.

De uma maneira geral, na vida cotidiana não é incomum que as pessoas tenham seus objetivos frustrados, quando estão apoiadas na neurose as pessoas buscam manipular o ambiente a fim de se eximirem de responsabilidade das falhas que venham realizar. Dentro da prática do Ving Tsun, frente a um tutor qualificado essa manipulação fica cada vez mais difícil de ser posta em prática, o que faz com que o praticante esteja constantemente lidando com a frustração do desejo de prosseguir e ter êxito na situação programada.

Mas o sentimento de tentar e não conseguir pode ser positivo?

A frustração é fundamental para o desenvolvimento humano, pois as pessoas são colocadas frente a barreiras, elas tendem a buscar alternativas para transpô-las. O sistema Ving Tsun permite a transposição destas barreiras mas somente através de um processo legitimo, existe um caminho que deve ser seguido, enquanto atalhos, abusos e manipulações são facilmente detidos, quando colocados frente a um tutor qualificado. Isto permite que a pessoa fique mergulhada dentro da frustração em busca de alternativas legítimas, para poder passar pela situação colocada.

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O excesso de força é uma forma de tentar manipular o ambiente em seu favor, um tutor qualificado de Ving Tsun pode facilmente frustrar essa manipulação.

A sensação de estar frustrado, contudo, nunca é boa e quando está aliada a uma ansiedade além da medida pode ser demais para um praticante, travando todo o seu processo de aprendizado. Desta forma é importante que cada praticante passe a se conhecer melhor e consiga ver entender qual é o nível de frustração e ansiedade que possam ser tolerados naquele momento. Por isso pode ser saudável fazer pequenas pausas para conseguir assimilar a carga emocional que é desprendida dentro das sessões.

Existe um ditado no Brasil que diz::“ Mar calmo não faz bom marinheiro.” . Contudo é importante notar que um mar extremamente tempestuoso e agressivo pode não fazer marinheiro algum.  Desta forma é importante estar experienciando alguma dose de frustração, mas não se pode permitir que ela te incapacite.
 

Eu acho que foi pensando nessa lógica de que o mar calmo não faz bom marinheiro que Mestre Julio Camacho disse a frase sobre o idoso abobalhado e o jovem com recursos, acredito que ele se referia a qualidade dos desafios que cada um encarou durante a vida, e como pode lidar com suas frustrações pessoais. E estar dentro de uma dinâmica de vida Kung Fu, saindo dos lugares habituais permite com que haja esse crescimento, que se dá não só através da frustração, mas também do pensamento estratégico desenvolvido dentro do Ving Tsun.

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Master Julio Camacho falando sobre vida Kung Fu.

 

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Discípulo de Mestre Julio Camacho Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

 

 

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In some Martial Arts organizations, specially on Kung fu ones, it is common to find ceremonies marking a practitioner’s level change. In this type of ceremony it is not uncommon to hear a practitioner saying the word “Frustration” when talking about their experience at the previous level. But what is frustration?

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Level Change Cerimony which I was granted acess to the second level of Ving Tsun traditional system.


Master Julio Camacho was once talking about how Kung Fu prepares people for life situations and said something similar to what I will transcribe below: “People often associate wisdom with age, but that’s not necessarily into true. It’s not uncommon to find an old aged fool, while it’s not impossible to find someone young and resourceful. “
Frustration can be understood as a tension generated by the non-satisfaction of needs or desires. This feeling is often  spoken pejorative way, it is said that frustrated people are unsucessfull in lifeand are, as well, stuck in situations of the past.

But you might be asking yourself… How’s that even related to Kung Fu?

Well, within the dynamics of kung fu life, we constantly find ourselves in situations that we would not normally experience, this includes but is not restricted to martial practice.

Generally speaking, in everyday life it is not uncommon for people to have their goals frustrated; when they are overwhelmed by their own neurosis, people seek to manipulate the environment in order to  withdrawn the responsibility for their own failures. Within the Ving Tsun practice, in front of a qualified tutor this manipulation becomes very difficult to be putted into practice, which makes the practitioner constantly dealing with the frustration of the desire to continue and succeed in that situation.

But how the feeling of trying and not making could be positive?

Frustration is fundamental to human development, as people are placed in front of barriers, they tend to look for alternatives to bypass them. The Ving Tsun system allows the bypassing of these barriers but only through a legitimate process, there is a path that must be followed, while shortcuts, abuses and manipulations are easily detained when placed in front of a qualified tutor. This allows the person to be immersed in the frustration in search of legitimate alternatives, to be able to go through the situations.

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Strenght abuse is a way of trying to manipulate the enviroment in ou favor, a Ving Tsun qualified tutor can easily frustrate that manipulation.

The feeling of being frustrated is, however, never good and when combined with an high level of anxiety could be too much for a practitioner, stopping thewhole learning process. In this way it is important that each practitioner begins to improve their self knowlege to be able to see what level of frustration and anxiety can be beared at that moment. So it may be healthy to take short breaks in order to assimilate the emotional load that is unleashed within the sessions.


There is a saying in Brazil that says: “Calm sea does not make a good sailor.” However it is important to note that an extremely stormy and aggressive sea may not make any sailor at all. In this way it is important to be experiencing some amount of frustration, but it can shouldn’t incapacitate you.

I believe that Master Julio Camacho was thinking about the logic of the calm sea does not make good sailor when he said the phrase about the old fool and the resourceful and young, I believe he was referring to the quality of the challenges that each one faced during The life, and how you handle your personal frustrations. The Kung Fu life provides us with many challenges of that sort, leaving the usual places allowed for this growth to occur, not only through frustration but also the strategic thinking developed within the Ving Tsun.

 

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Master Julio Camacho talking about Kung Fu life.

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An disciple of Master Julio Camacho Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

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Confie no Si Fu / Trust Si Fu

Confie no Si Fu / Trust Si Fu

Si Fu e eu no dia do meu Baai Si.

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Quando eu comecei a praticar Ving Tsun, o que mais me impressionou foi a multiplicidade de informações e interpretações de um fato que o sistema permitia. Em uma das minhas primeiras sessões de Ving Tsun Experience, eu estava aprendendo o Yat Ji Jung Choei, o popular soco… Durante a sessão eu fui perguntado pelo meu Si Hing Thiago Pereira para que servia um soco.  Eu vi que talvez aquela fosse uma pergunta capciosa e titubeei um pouco… sabia que iria responder aquela pergunta de forma inadequada, mas mesmo assim resolvi me arriscar e respondi que um soco servia para ferir ou agredir outra pessoa. Meu Si Hing perguntou “Então se é para isso, porque não estamos nos batendo?”. Fiquei sem resposta e após essa intervenção fui aos poucos podendo enxergar, através do processo de mobilização do meu Si Hing, que através do movimento de soco explorávamos uma série de particularidades do Siu Nim Do.

Depois desse episódio comecei a tentar ver o que cada movimento podia dizer. Através desse processo fui percebendo que muitas vezes as dificuldades técnicas são análogas as próprias dificuldades da vida. Funcionando como metonímias, uma vez que substituem a parte pelo todo. Muitas vezes a dificuldade de explorar os movimentos está ligada a uma dificuldade de expressão que incide na pessoa de uma forma global, aparecendo em muitas partes de sua vida.

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O aprendizado no Ving Tsun, algumas vezes pode parecer uma montagem de quebra-cabeças.

Existe um grande filósofo alemão, chamado Arthur Schopenhauer que diz que existe uma diferença entre alguém talentoso e alguém genial. Para Schopenhauer uma pessoa talentosa é aquela que acerta o alvo que ninguém mais consegue, enquanto a pessoa genial acerta o alvo que ninguém vê.

     Recentemente, meu Si Fu pediu que eu começasse a escrever, particularmente sobre Vida-Kung Fu e a relação Mestre-Discípulo. Em um primeiro momento me questionei porque Si Fu estava me pedindo isso. Seria eu a pessoa mais indicada para essa tarefa?

Lembrei então do início da minha prática e de como que dentro da dimensão Kung Fu muitas coisas não são somente o que parecem, passei a pensar em qual tipo de experiência a escrita poderia me proporcionar, essa experiência que não estaria limitada a mecânica da escrita e sim essa tarefa me possibilitaria explorar cada vez mais a dimensão Kung Fu. Desse modo eu poderia ter mais acesso à novas experiências de vida geradas a partir do Kung Fu,  como por exemplo estar mais próximo do Si Fu e como essa atividade pode gerar  grande crescimento pessoal. Eu não sei o que Si Fu viu para me pedir que eu escrevesse esses textos, mas sempre tento me lembrar que os gênios são aqueles que acertam o alvo que ninguém mais vê.
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Discípulo de Mestre Julio Camacho. Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

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Trust Si Fu

Confie no Si Fu / Trust Si Fu

Si Fu and I on my Baai Si’s day

When I started practicing Ving Tsun, i got very impressed by th multiplicity of information and interpretations of a stimuli that the system allowed. In one of my first Ving Tsun Experience sessions, I was being introduced to Yat Ji Jung Choei, most known as the punch … During the session I was asked by my Si Hing Thiago Pereira what a punch was for. I  thought that maybe that was a trick question … I knew I would answer that question inappropriately, but I still decided to take my chances and I answered that a punch  was meant to hurt or assault another person. My Si Hing asked, “So if that’s what a punch is for, why  we’re not hitting each other?” I was speechless and after this intervention I gradually saw, through the process of mobilization of my Si Hing, that through the movement of punch we  were exploring a series of peculiarities of Siu Nim Do.

After that episode I began to try to see what each movement could say to me. Through this process I have come to realize that technical difficulties sometimes are analogous to each one life’s personal difficulties. Functioning as metonymy, since they replace the part for the whole. Often the difficulty of exploring the movements is linked to a difficulty of expression that affects the personas whole, appearing in many parts of his/her life.

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Sometimes learning in Ving Tsun is like solving a puzzle.

There is a great German philosopher named Arthur Schopenhauer who claims to be a difference between a talented person and a genius. For Schopenhauer a talented person is the one who hits a target while no one else can, while the genius hits a target that nobody else sees.

Recently, my Si Fu asked me to start writing, particularly about Kung Fu Life and the Master-Disciple relationship. At first I wondered why Si Fu was asking me this. Would I be the best suited person for this task?

Then I remembered the beginning of my practices and how in the Kung Fu dimension many things are not only what they seem, I started to think of what kind of experience writing could give me, and how this experience would not be limited to the mechanics of mere writing.  Through the  writing  i was going to be able to explore more and more the Kung Fu dimension, in on top of that i was going to have more access to the possibilities offered through Kung Fu life, such as being closer to Si Fu, therefore this activity could generate great personal growth. I do not know what Si Fu saw to ask me to write these texts, but I always try to remember that geniuses are the ones who hit the target that no one else sees.

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An disciple of Master Julio Camacho. Iuri Alvarenga “Moy  Yau Lei” iurial1v@gmail.com

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