Sobre resistência, neurose e Kung Fu

5

Defesas, formas e Kung Fu. É sobre isso que falaremos no post de hoje!

download ENGLISH VERSION

Na última segunda-feira eu estava participando das atividades  de um núcleo de Kung Fu na Barra da Tijuca e um praticante disse que havia retornado a faculdade do curso de Letras e que em uma de suas aulas um professor de literatura disse que desejava que sua aula fosse um espaço de resistência. Como psicólogo, essa fala me soou muito mal. A verdade é que eu não sei o que esse professor disse mas no meu entendimento, como uma pessoa poderia ler com qualidade se estivesse resistindo aquele conteúdo?! Este estranhamento se deve ao olhar que dou para a resistência é de um psicólogo Gestalt-Terapeuta.  Imagino que o professor estivesse falando algo no campo da crítica.

Mas o que é resistência para um Gestalt-terapeuta?

Quando abordamos a resistência dentro da Gestalt-Terapia, é importante ressaltar que estamos  abordando recursos defensivos  que permeiam a constituição de um sujeito. Em princípio a resistência atua na busca pela autopreservação de um indivíduo, desse modo este recurso é extremamente valioso, pois é o que mantém, em princípio, a pessoa sã. A resistência atua  na tentativa de conservar a forma com que vivemos habitualmente.

Em sua forma original, a resistência é bastante útil, porém, algumas vezes essas defesas se cronificam  e passam a ser utilizadas de  forma acrítica na maior parte das situações. Quando isso ocorre ,geralmente, há uma percepção reduzida sobre esta maneira de se defender e desta  forma, a resistência assume uma forma neurótica.

89

Tal qual uma pele de cobra,  a resistência neurótica já teve sua importância.

Podemos buscar várias situações para ilustrar a resistência  e sua forma neurótica. Não é incomum, por exemplo, encontrarmos pessoas que  tem um tom agressivo , que dá a impressão que a pessoa está sempre brigando. Podemos imaginar que essa pessoa é oriunda de um ambiente extremamente hostil. Em algum momento essa forma agressiva foi extremamente importante para a pessoa. Seja para que ela fosse ouvida, seja para ser respeitada em sua individualidade. Para essa pessoa, o tom agressivo pode ser  uma forma encontrada por ela para manter outras pessoas afastadas, que por ventura poderiam feri-la. Em algum momento se expressar de forma mais agressiva teve sua importância para essa pessoa, contudo quando esta forma fica cristalizada esse indivíduo passa a “atacar” qualquer pessoa que se aproxime, mesmo que essa pessoa não tenha dado nenhum indicio que fosse desrespeita-la.

Esta forma acrítica conservada pela resistência pode ser chamada de neurose.

Em minha experiência no Ving Tsun, em vários momentos me dei conta várias vezes das minhas neuroses. Existe um episódio ,em especial, que passei com meu Mestre, Julio Camacho, que sempre gosto de lembrar. Em uma das minhas primeiras experiências com Chi Sau,  Mestre Julio Camacho fez a conexão comigo e pediu para eu colocar o mínimo de energia que eu pudesse. Como um discípulo obediente coloquei o mínimo que achava necessário, após realizar essa tarefa, Mestre Julio continuou pedindo para que eu colocasse cada vez menos energia. Nesse momento comecei a ficar confuso e ao mesmo tempo, comecei a fazer o meu melhor para atender o pedido do meu mestre, que cada vez mais pedia menos energia e não só isso, pedia também para eu avaliar qual era o mínimo necessário para estabelecer essa conexão. Deste modo comecei a perceber que eu de fato conseguia colocar menos energia do que eu entendia como o mínimo, dessa forma comecei a um processo de começar a atualizar minha percepção sobre mim mesmo.

P1011274

Através da sensibilidade de Mestre Julio Camacho conseguimos descobrir muito de nós mesmos.

Com a percepção de que em uma tarefa relativamente simples eu utilizava energia além do necessário, comecei a questionar em quais outros aspectos da minha vida eu fazia mal uso de minha energia. A partir dessa proposta de Mestre Julio, comecei a perceber que várias das dificuldades e travas que eu tinha na minha vida se davam por um deslocamento enérgico desproporcional ao que era necessário. Desta forma, eu acriticamente colocava muita energia nas coisas que eu fazia e acompanhando  estes excessos vinha muita expectativa, cobrança e frustração e estes sentimentos acabavam por tirar qualidade destas coisas que eu fazia.

Através destas inserção bem específica do Mestre Julio Camacho, pude através do Kung Fu, iniciar um processo de sensibilização que começou naquele dia e vai se aprimorando cada vez mais e que está  sendo levado para todo o resto da minha vida.

blog-1

Discípulo de Mestre Júlio Camacho. Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

whatsapp-image-2017-02-15-at-19-04-10-1

About Resistance, Neurosis and Kung Fu.

5

Defenses, forms and Kung Fu, that’s what were going to talk about on this post.

Last Monday I was praticing Kung Fu in Barra da Tijuca and a practitioner said that he had returned to the School of Literature and that in one of his classes a professor said that he wanted his class to be a space of resistance. As a psychologist, this speech sounded very bad. The truth is I do not know what this teacher  meant exactly, but in my understanding i couldn’t belive how can a person  even start reading with quality if he was resisting that content ?! This strangeness one should look at that give for resistance is from a Gestalt-Therapist psychologist. I imagine the professor was saying something in the field of criticism but that’s not how it goes in psychology.

But for what is resistance to a Gestalt-therapist?

When we talk about resistance in Gestalt Therapy, it is important to notice that we are talking about  defensive features that permeate the constitution of a individual. In principle, resistance acts on the self-preservation of an individual, so this resource is extremely valuable, since it is what maintains, in principle, the person sane. Resistance acts in the attempt to preserve the way we habitually live.

In its original form, resistance is very useful, but sometimes these defenses become chronical and used uncritically in most situations. When this occurs generally there is a reduced perception about this way of defending and in this way resistance takes on a neurotic form.

89

Like a snake’s skin the neurotic resistance has already had it’s importance.

We can look for several situations to illustrate the resistance and its neurotic form. It is not unusual, for example, to find people who have an aggressive tone, which gives the impression that the person is always struggling. We can imagine that this person comes from an extremely hostile environment. At some point of his/her this aggressive form was extremely important to the person. Whether it was to be heard or to be respected in your individuality. For this person, the aggressive tone may be a form found by her to keep other people away, who could hurt her. At some point expressing more aggressively has had its importance for this person, however when this form is crystallized this individual will “attack” any person who approaches, even if that person has not given any indication of disrespect

This uncritical form preserved by resistance can be called neurosis.

In my experience with the Ving Tsun, at various times I realized several times about my neurosis. There is an episode in particular that I spent with my Master, Julio Camacho, that I always like to remember. In one of my first experiences with Chi Sau, Master Julio Camacho made the connection with me and asked me to put as little energy as I could. As an obedient disciple, I put as little as I thought it wa necessary. After completing this task, Master Julio kept asking me to put less and less energy. At that moment I startedto be confused and at the same time, I began to do my best to meet the request of my master, who increasingly asked for less energy and not only that, he also asked me to evaluate the minimum needed to establish this connection. In this way I began to realize that I could actually put less energy than I understood as the minimum, so I began a process of starting to update my perception of myself.

P1011274

Through Master Julio Camacho sensiblity we are able to find out much of ourselves.

With the perception that in a relatively simple task I used energy beyond what was necessary, I began to question in what other aspects of my life I misused my energy. From this proposal of Master Julio, I began to realize that several of the difficulties and obstacles that I had in my life were due to an energetic displacement disproportionate to what was necessary. In this way, I uncritically put a lot of energy into the things I did and following these excesses came a lot of expectation, collection and frustration and these feelings ended up taking quality from these things that I did.

Through these very specific insertion of Master Julio Camacho, I was able through Kung Fu to initiate a process of sensitization that began that day and is getting better and better and that is being taken for the rest of my life.

blog-1

An disciple of Master Julio Camacho Iuri Alvarenga “Moy Yau Lei” iurial1v@gmail.com

whatsapp-image-2017-02-15-at-19-04-10-1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s